sexta-feira, 23 de julho de 2010

Falando de censura na década de 60

O conhecimento histórico é fundamental, pois “perceber como sua maneira de pensar e agir se acha comprometida com as ações do passado significa resgatar a possibilidade de tomar consciência da situação em vista de uma transformação mais efetiva, como forma de descobrir as relações de poder e os entraves que delas resultam, para reorientar a ação” (Citação do livro: Aranha, Maria Lúcia de Arruda / História da Educação – 2 ed. rev. e atual. – São Paulo: Moderna 1996.) assim como a história, a cultura popular, a poesia, a música, a comunicação, a escola, enfim todos os setores que possibilitem uma construção social e cultural entre os membros de uma mesma sociedade, todos estes, são fundamentais na formação de uma identidade comum.
A censura trabalha deteriorando o pensamento crítico e a identidade comum de um povo. Esta deteriorização se fundamenta através da proibição da liberdade de expressão em todos os setores culturais sob justificativa de conspirações políticas contra o governo atuante. Há muitas outras intenções por trás da censura do que a inibição de uma “possível” conspiração política. Ela é a manifestação da manipulação de pensamentos e destinos submetidos aos interesses dos detentores do poder.
Neste período a censura se apresentou de várias formas, uma delas foi à prática repressiva com a tortura e morte de prisioneiros políticos. Desde 1964 tornou-se comum a prisão arbitrária de suspeitos de “subversão”. A partir de 1969 com a implantação do sistema Cod-Doi ( Cod - Centro de Operações de Defesa Interna / Doi - Destacamento de Operações de Informações), essas práticas foram oficializadas. Na primeira fase do regime militar (1964-1968) tais práticas chegaram a ser denunciadas pela imprensa, porém, com a implantação do AI-5 (Ato Institucional número cinco - 1968) estas denúncias passaram a ser ocultadas. Entretanto, a censura não pode ser atribuída como exclusividade deste período, pois existe no Brasil de maneira oficial desde 1946 e já fazia parte da rotina dos profissionais do teatro, havendo desde esta época a presença de um censor durante o ensaio geral. Havia a censura moral das peças e mais tarde a censura também passou a marcar presença no rádio, cinema, TV, circos e até mesmo em churrascarias com música ao vivo.
A ditadura militar torturou e exilou políticos, estudantes, e em sua maior parte pessoas que influenciavam a formação cultural do país, dentre esses, atores, cantores, cientistas, jornalistas e professores.
Houve a censura na educação, com a reestruturação da representação estudantil. Em 1967 o governo coloca fora da lei às organizações consideradas subversivas como a UNE , nessa época ocorre também à implementação de novas disciplinas e o controle dos grêmios estudantis.
Durante a censura, a produção historiográfica no Brasil obteve baixos índices de publicações, comparando-se a outras áreas de conhecimento. Dentre vários, estes são alguns dos motivos que levaram a maioria da população atual a construir uma sensação de “aminésia coletiva”, ou seja, não possuímos uma memória bem delineada no que se refere a esse período. Esta “falta de memória”, também pode ser entendida como uma tentativa de romper com esse período da história, como se recomeçássemos do zero, pois “apagando” a história de um povo e reescrevendo-a convenientemente sobre o viés da ditadura é que se poderia obter o controle total da nação.

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